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A última ceia

Segundo relatos de amigos próximos de Machado de Assis, a última frase que ele balbuciou antes de morrer foi “a vida é boa”.

 

Simples assim. Como se numa pequena frase ele pudesse resumir que, mesmo sendo epilético, gago, mulato, descendente de escravos alforriados – numa época que a Obamamania seria condenada a chicotadas – a vida dele só podia mesmo ter sido boa.  

 

Raramente as pessoas falam de assuntos como esse. Perda e morte são assuntos tabus na religião, mesa de bar, encontro com os amigos. Evitamos a pauta. A ideia (ainda não me acostumei a não usar acento nesta palavra) hoje também não é falar disso, mas, de tentar imaginar o que a gente diria como última frase na hora da passagem. Aquela para registrar seus atos, evidenciar tudo o que você fez, viveu, sentiu...

 

Levando em consideração meus gostos, vícios e rotinas, talvez eu diga algo como: ”por favor, um expresso com a espuma do leite” ou “será que amanhã vai chover?” ou ainda “alguém viu o meu chinelo”? Pois é... eu jamais faria parte da Academia Brasileira de Letras. Pensando bem, talvez num ato abusivo do plágio, eu faça como Machado de Assis.

 

Porque eu ainda não pensei em nada melhor para registrar o momento com outra frase além de “a vida é boa”.

 

Beijos, Adri

 

Música: Garbage - Stupid Girl 



Escrito por Drikaninha às 16:09
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