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Me, Myself And I



Eu sou eu e você numa mesma ação

 

As pessoas mudam ou elas simplesmente adquirem várias formas – se adequam ao cenário, por assim dizer? Quando a gente deixa de ser quem a gente é? E se de repente nos damos conta de que não somos mais aquela pessoa que aparece no RG? Quando, afinal, perdemos a identidade?

 

Máscaras, mudanças, tipos, poses, fakes, guetos, biotipos, grupos, rodas, panelas... As pessoas são o que são ou somos nós que criamos expectativas demais? Como, por exemplo, sair da saia justa frente à cara de espanto daquela gerente que ouviu você dizendo um sonoro: vai se foder? É ela que não te conhece ou você que não se deixou conhecer? Fica evidente, então, que nós criamos várias personagens ao longo da nossa trajetória?

 

Seria correto afirmar - num raciocínio lógico onde dois e dois são quatro - que pessoas não possuem idéias próprias? Ou ainda que para cada situação que vivemos sacamos de uma máscara apropriada, da carapuça que nos serve, abrimos na mente o enorme HD com respostas prontas e trechos de livros e adaptamos como se fossem idéias nossas?

 

Não, não me diga que você nunca fez isso. E aposto que nem usou no começo da frase a expressão: como diz o meu amigo...

 

E se agente reparar no círculo lúdico do carrossel onde todos os cavalos estão virados para o mesmo lado e seguem o mesmo fluxo, percebemos que cada um tem a sua cor. Sua marca. Seu momento. Não somos iguais, mas, somos a soma das pessoas, de fatos e de momentos que, um dia, mesmo que por um milésimo de segundo passaram por nós. E deixaram marcas.

 

Já tive a doce ilusão de achar que muitos pensamentos e atos eram meus. Ainda bem que os anos passam e a gente vai criando vergonha na cara para admitir certas coisas. Estou numa fase de evidenciar os meus erros, rir da própria cara e de me dar ao luxo de usar todas as máscaras que eu quero, aonde eu quero da forma que eu bem entender. Quero ser várias, quero ser todas e tudo ao mesmo tempo. Multifacetada.

 

Deve ser influência do ciclo, mais um que está quase terminando para começar outro. Vou comemorar o fato de ser a cara da mãe, o nariz do pai e de ter uma personalidade única porque tenho comigo um “que” da essência de todos os meus amigos. E inimigos, graças a Deus. Afinal, são eles que nos fazem criar as melhores máscaras: da coragem e da defesa.

 

Beijos, Adri

 

Música: Jorge Vercilo - Encontro das águas



Escrito por Drikaninha às 23:54
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