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Me, Myself And I Sentidos Se eu tivesse que escolher um deles – ou definir o grau de importância – eu não saberia, nem conseguiria. Se eu tivesse que ficar sem um deles, então, seria pior ainda. Eu sou totalmente dependente dos cinco sentidos. O que seria de mim sem o tato? Não poder sentir na ponta dos dedos o enrolar dos cabelos lisos – esses que eu insistentemente enrolo nas reuniões – não sentir o macio da sua pele, a temperatura da água quente que cai do chuveiro antes de jogar o corpo para dentro do Box, o toque suave do cetim, do veludo, a aspereza do asfalto minutos depois que a mão rala no chão evidenciando o tombo vergonhoso, o prazer do encaixe das teclas nos meus dedos enquanto eu digito palavras absurdas. Impossível viver sem isso. O que seria de mim sem a visão? Não poder ver o despontar do dia, a imagem de São Jorge na lua, a linha do horizonte, a linha do trem, a linha da vida na palma da mão, a vida que cresce e os anos que passam bem em frente aos meus olhos, o colorido do arco-íris, as formas geométricas e caóticas da minha amada e idolatrada São Paulo, os inúmeros sorrisos, minha imagem refletida no espelho e agradecer pela generosidade do tempo. Impossível viver sem isso. O que seria de mim sem o olfato? Não poder sentir o cheiro do café passando pelo filtro de papel e invadindo minhas narinas, o suave cheiro doce da baunilha no creme preferido, a doce lembrança do seu perfume ainda nas pontas dos meus dedos, o cheiro amargo do hospital, do meu travesseiro que há anos registra meus sonhos, o cheiro de casa com a sensação de porto seguro, do livro novo, o cheiro insuportável do ralo. Impossível viver sem isso. O que seria de mim sem a audição? Não poder ouvir o som das minhas inúmeras bandas de cabeceira, o barulho do salto alto identificando a personalidade marcante das pessoas, o som do mar ao vivo, nas conchas, a voz na tela do cinema, meu nome no pé do ouvido – aquele que até arrepia – o barulho ensurdecedor das muitas baladas marcantes, o som insuportável dos pássaros na janela, o coro das torcidas campeãs. Impossível viver sem isso. O que seria de mim sem o paladar? Esse sentido - que aliado com o olfato - faz a vida ficar doce, cítrica, agridoce. Eu sou agridoce. O que seria de mim sem o sabor do algodão doce, do poderoso café – ele de novo – do gosto amargo do seu corpo que fica na minha boca por mais tempo, das infinitas variações de queijo que existe no mundo, do sabor cambaleante do chocolate, do gosto inebriante dos vinhos, da sensação do peixe cru misturado no Shoyu deslizando na boca, a pasta de dente que impregna as papilas gustativas, as mesmas que disputam o último gole da coca-cola – no meu caso. Impossível viver sem isso. Tudo isso foi pensado enquanto eu digitava, enrolava os cabelos, tomava café – muitos – via TV, lia matérias em sites e comia chocolate. Tudo ao mesmo tempo e mais ou menos nessa ordem. Beijos, Adri Música: Legião Urbana – Antes das seis Escrito por Drikaninha às 22:48 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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