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Me, Myself And I



Amor incondicional

 

A primeira vez que eu a vi ela estava numa gaiola horrível, suja e um tanto apertada – já que o espaço dela era dividido com mais dois cachorros. Olhei para o conjunto da obra como se olha para qualquer outro objeto, sem me atentar muito. Mas, algo nela chamou a minha atenção. Suas orelhas eram grandes - grandes demais para um cachorro tão pequeno – os olhos tristes, mas espertos – espertos demais para um cachorro tão pequeno.

 

Cheguei perto e ela fez graça, num ato desesperado para chamar mesmo a minha atenção. Aposto que se ela falasse ela teria gritado: Me tira daqui! Neste momento então eu soube que era uma cachorra, uma menina ainda sem nome, sem destino, sem raça. Sem nada. Ela só tinha charme – charme demais para uma cachorra tão sem raça.

 

Voltei para casa pensando nela, cutuquei as lembranças mais doloridas da irmã – ela ainda sofre com a ausência da Pelúcia – num ato desesperado para chamar mesmo a atenção dela. Aprendi com a cachorra... Voltamos na loja e lá estava ela, naquela gaiola horrível, suja e agora um pouco mais fedida.

 

Seu alvará custou a bagatela de R$150,00 – chorados, claro. Um pouco caro - caro demais para uma cachorra tão sem pedigree. No caminho fomos pensando e inventando nomes. Depois de olharmos um pouco mais para ela, decretamos: Pipoca. O nome deve-se ao fato do pêlo dela ser claro - meio creme, meio bege, meio cor de burro quando foge – e, na época, um pouco empelotado, como se fosse mesmo umas pipocas...

 

De lá fomos direto ao veterinário. A coisa era tão miúda que cabia no meu antebraço. E essa coisa miúda tinha um pouco de tudo: pulga, fome, sujeira, nada de vacina, nem um pouco de controle e todas as faltas de obediência que um ser canino pode ter aos três meses de idade. Sua raça? Só Deus sabe. Pelo tamanho das orelhas, podemos dizer que o tataravô dela era um cocker.

 

Não foi nem um pouco fácil educá-la. Acostumar com ela transitando pela casa então, mais difícil ainda. Cada hora era um que lançava seu peso nas suas pobres patas indefesas. Ela dá trabalho, despesas, um pouco de dor de cabeça e encheção de saco. Em compensação, dá carinho, afeto, amor e companheirismo que não tem como descrever. O veterinário dela – aliás, pessoa na qual a Pipoca tem um grande apreço – diz que ela é inteligentíssima.

 

E eu, que antes dela não via a menor graça num ser peludo, de patas e com uma carreira de tetas, hoje me rendo aos seus caprichos, compro seus brinquedos e até escovo os seus dentes. Quando ela deixa, claro. O melhor de tudo isso é quando ela pára ao meu lado, me olha, vira um pouco a cabeça e – parece que – diz: Eu também te amo.

 

Beijos, Adri - e uma lambida da Pipoca.

 

P.S.: O alto índice de trabalho atualmente na minha vida, faz com que eu não apareça muito por aqui. Mas, deixe seu recado após o sinal. A casa agradece sua visita.

 

Música: Bob Marley - Three Little Birds



Escrito por Drikaninha às 19:34
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