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Me, Myself And I Saudade Eu sinto sempre. Isso não significa querer viver de novo o que já passou. As lembranças são partes da nossa construção de vida, como as rugas – são necessárias. A saudade dói? Às vezes. Mas, como defini-la? Será, a saudade, essa definição do dicionário on line? Gosto da saudade com cheiro, do cheiro gostoso que tinha a comida da minha avó. Do tempero simples da macarronada de domingo com salada de alface. Do seu sorriso acanhado, o olhar sábio, das mãos calejadas da luta cotidiana, dela dizendo que a gente era “lisinha de agradar”. Gosto da saudade da dor no braço causada pela batida forte da bola de volley (vôlei?), dos jogos de rua, do som da costela batendo no chão por pular errado por cima da mula – ai como dói – das intermináveis partidas de pif paf com a gangue pré-adolescente, da dor no coraçãozinho quando se ama aos nove anos. Gosto da saudade da liberdade pressuposta dos 16 anos. De sair de braços dados, sem destino, para ir até lá... no bar do Moa. Saudade da audácia débil que se tem no segundo grau e pular o muro da escola só para ficar ali, encostada no carrão branco que gelava até o cóccix quando ele virava a esquina. Saudade do despudor ingênuo do corpo dentro do shorts jeans - que na verdade era uma calça velha cortada – combinando com o top que não cobria nada. Gosto da saudade das inúmeras danças sincronizadas nas matinês da vida, do ouvido surdo no outro dia causado pelo show de rock, das roupas trocadas com as amigas, da calça da Khelf que – de todas nós – era no Zé que ela ficava melhor, das muitas subidas na Mourato Coelho, da insuperável Marguerita do Barbahala. Gosto da saudade do vento gelado que bate no rosto nas noites frias de Campos do Jordão, do cachecol apertando o pescoço e da sensação de dor ao respirar o ar frio. Gosto da saudade do som dos lugares que eu conheci – ou do silêncio deles. Gosto da saudade do gosto do café mal feito, improvisado numa xícara de chá, do quarto ainda bagunçado, gosto da delícia que é ouvir o barulho da gargalhada dos amigos. Gosto da saudade da desordem das várias conversas literárias nos botecos da vida, das discussões calorosas sobre a relevância de um Big Brother na cultura de massa. Mas, acima de tudo, gosto da saudade presente - essa do dia a dia - de abrir um e-mail e ler “que saudade de você, galinha”. De te encontrar na rua estacionando o carro, te abraçar e dizer: “nossa, que saudade”. Ou de atender o telefone e, antes do alô, ouvir você berrar: “Meeeeeu, sabia que eu tô com saudade”? Gosto do gosto gostoso do abraço agarrado que eu dei – e recebi – em você depois de anos sem te ver. Nessas horas, percebo que a saudade a gente cura assim: com um simples e demorado abraço. Beijos, Adri Música - James Blunt - Wisemen Escrito por Drikaninha às 00:19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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