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Me, Myself And I



Isso passa...

 

Eu, quase nunca – se é que essa expressão é válida – tomo remédio. Seja lá para o que for. Salvo – voltamos ao quase nunca – bezetacil aplicada direto na bunda, em cima da marca antiga do biquíni, para curar de vez a amigdalite. Odeio remédio. Para mim, algumas dores são toleráveis, como cólica, ela dá e passa. Simples assim.

 

Lembro de ter sentido a minha primeira dor de cabeça com uns seis anos, aquilo era novo para mim, eu nem sabia explicar para minha mãe exatamente o que doía. Só lembro que eu chorava. Ela, achando que era cena para eu não ir para escolinha, disse do alto da sua sabedoria: Dorme um pouco que passa. E passou.

 

Teve uma vez que eu estava brincando no quintal da minha avó e, muito afoita para arrumar um bom esconderijo, lasquei a batata da perna no escapamento da moto do meu tio. Doeu. Tanto. Fiz curativo. Sarou.

 

E assim foi, me machuquei diversas outras vezes. Abdiquei de milhares de remédios, ampolas, drágeas, pomadas, etc. Mamis sempre ali: Isso passa.

 

Mas, dor física, é bobagem quando o que dói é a alma. Isso não tem remédio – ou tem? – que cure. Por razões óbvias, as pessoas que mais nos amam são as que mais nos magoam.  E por diversas vezes, senti essa dor que não tem, não tem explicação... Nessas horas eu entendo o significado da palavra abstrato.

 

E, assim como no dia que eu senti minha primeira dor de cabeça, lembro que o melhor lugar do mundo para chorar, é o colo da mãe. E como é bom, lindo e gratificante quando ela diz: Vai passar. Isso passa.

 

Depois, diz que te ama e te beija, como se você fosse o ser mais importante do universo.

 

Beijos, Adri

 

Música –Zélia Duncan - Bom pra você



Escrito por Drikaninha às 16:47
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